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  • 16/04/2013
  • 08:43
  • Atualização: 09:44

Reforma do Beira-Rio é de risco zero ao Inter, garante dirigente

Em entrevista ao CP, Max Carlomagno explicou questões da obra do estádio colorado

Reforma do Beira-Rio é de risco zero ao Inter, garante dirigente | Foto: Alexandre Lops / Inter / Divulgação / CP Memória

Reforma do Beira-Rio é de risco zero ao Inter, garante dirigente | Foto: Alexandre Lops / Inter / Divulgação / CP Memória

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  • Fabrício Falkowski / Correio do Povo

Em poucos meses, o Inter vai ter um estádio de primeiro mundo com risco zero para o clube. Esta expectativa aumenta à medida que a reforma do Beira-Rio avança, como explica o presidente da comissão de obras, Max Carlomagno. Em entrevista exclusiva ao Correio do Povo, ele falou sobre pontos da reforma, da escritura ao gerenciamento do estádio.

O papel do Inter, da Andrade Gutierrez e da Brio

"O Beira-Rio é o único estádio da Copa sem recursos públicos diretamente envolvidos. O negócio envolve um modelo de parceria onde a Brio, uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), celebra um contrato com o Inter, contrata uma obra com uma construtora de renome e rentabiliza seu investimento por meio da exploração de ativos cedidos pelo clube. O Inter é e continuará sendo o proprietário e operador do estádio. A Brio, após 20 anos, devolve os seus ativos ao Inter. E, finalmente, a AG é a construtora contratada pela Brio para executar a obra."

Diferenciais do negócio

"O Inter, por meio do modelo de negócio de parceria estratégica, pode permanecer focado naquilo que mais sabe fazer: montar times de futebol profissional; identificar, captar e desenvolver novos talentos; fazer a gestão da sua marca; desenvolver relacionamento com seus sócios e torcedores. Também preserva suas receitas fundamentais (sócios e bilheteria, TV, marketing, venda de jogadores) e potencializasse sua receita de estádio. Acreditamos que haverá um incremento de receitas, somente com o estádio, que poderá chegar a R$ 40 milhões por ano após a Copa."

"O melhor de tudo isso: vem com risco zero. O Inter contratou um modelo de negócio sem risco da variação do orçamento da obra, como, por exemplo, advindo de novas demandas da Fifa para sediar a Copa. E não se endividou. Por fim, a cessão dos ativos que remunerarão a Brio (renda de camarotes, cadeiras VIPs, catering, estacionamento, shows, publicidade, naming rights), que em sua maioria absoluta eram inexistentes, vão gerar uma perda de receita de menos de 4% de seu orçamento anual. Pensamos que não passe de R$ 7 milhões por ano."

Financiamento próprio

"A gestão da obra no modelo de autofinanciamento demandaria tomada de empréstimo de R$ 100 a R$ 200 milhões. Além de o Inter não poder suportar uma despesa financeira desse montante, não há agentes financeiros dispostos a financiar clubes de futebol por entenderem que são organizações com maior nível de risco (durante a gestão de Vitorio Piffero, o Inter procurou 11 bancos, entre eles o BNDES. Em todos, teve o não como resposta)."

Crescimento de Receitas como novo estádio

"O Inter perderá alguns ativos, mas a perda será compensada com lucro em outras áreas. Atualmente, as principais fontes de receitas do clube são: sócios, TV, marketing, opção de venda de jogadores e estádio. A contribuição do estádio deve crescer com o novo Beira-Rio."

Decisão analisada

"O negócio atual é produto de um amplo debate entre os colorados. Todo o projeto foi conduzido por uma Comissão de Obras formada por conselheiros de diferentes movimentos políticos, empresários, advogados, arquitetos, engenheiros e administradores com experiência em negócios. A Comissão de Obras teve o suporte dos Conselhos Fiscal e Consultivo do Clube que anuíram com o negócio. O Conselho Deliberativo aprovou por unanimidade a mudança de modelo de negócio e por avassaladora maioria a aprovação do contrato. Ao longo desse processo o Inter contou com a assessoria isenta das auditorias Ernst & Young Terco e do escritório de advocacia Tozzini Freire, especialistas em operações dessa natureza."

Sigilo do contrato

"O contrato foi amplamente analisado pela Comissão de Obras e esteve disponível para análise de todos conselheiros (menos da metade dos 342 conselheiros estiveram no Beira-Rio para conhecer o documento, que ficou à disposição por uma semana). O contrato envolve duas partes. A decisão de divulgá-lo não cabe apenas ao Clube, mas a essência do contrato, aquilo que interessa a toda comunidade colorada, foi amplamente debatido. Além disso, o contrato contém informações estratégicas para o parceiro, que não tem interesse que sejam divulgadas para seus concorrentes."

O dono do estádio

"O Sport Club Internacional é o dono do Beira-Rio. Isto não muda em nada."

Diferenciais do projeto

"A participação na Copa e a experiência dos parceiros (AG e Brio) dão expectativa da mais alta qualidade em termos de projeto, construção e equipamentos disponíveis. As novas cadeiras serão as mesmas de Wembley, por exemplo. A cobertura está sendo feita por empresas de destaque internacional. O gramado terá sistemas de irrigação e drenagem dos mais modernos do mundo."

O melhor negócio possível

"Foram meses de discussão, desenho, estruturação e negociação do modelo para realização de um grande negócio para todas as partes envolvidas. Negócio esse que demandará gestão profissional das futuras administrações nos próximos 20 anos. Temos direitos e deveres para com nossos parceiros. O Inter manteve seus principais ativos, viabilizou a construção em um curto espaço de tempo, criou novas áreas para exploração e espera valorizar seu patrimônio. E, por fim, manteve sua autonomia."

Alma

"O Beira-Rio permanece no mesmo local e conserva mais de 40 anos de conquistas, memórias, experiências e história. Guarda toda a trajetória colorada em seus anos mais gloriosos. O novo Beira-Rio emerge com um novo corpo, mas com a mesma alma."

Divergências entre Inter, Brio e AG

"Não há garantias de que não ocorram. Um negócio bem desenhado, adequadamente delimitado e com parceria entre as partes é a precondição para que a relação comece bem. O êxito desse projeto dependerá de 20 anos de entendimento dos deveres e direitos de cada parte e de uma atuação integrada. Será responsabilidade dessa e das futuras administrações do Inter gerenciar o contrato e buscar estratégias de crescimento conjunto."

Gerenciamento do estádio

"O Inter gerenciará o estádio. É importante ressaltar que já existem empresas prestadoras de serviços que são contratadas para fazer partes das atividades de operação do estádio sob coordenação do clube, como limpeza, por exemplo."

Autorização para treinar

"Não será preciso pedir autorização para treinar. A administração do estádio será feita pelo Inter. A Brio participará da gestão nos serviços que lhe competem, mas o Beira-Rio é um só. Ele nasce com novo corpo, mas mesma alma. Todo o estádio é do Inter. Em termos de receitas, o clube detém receita de mais de 80% dos assentos do estádio, mas o Beira-Rio não será administrado dessa forma. O mesmo ocorre com os estacionamentos. Não trabalharemos com distinções entre o que é de um e é de outro."

Futura capacidade

"O novo Beira-Rio terá capacidade para 51 mil pessoas. Pode aumentar para até 55 mil se optarmos por tirar as cadeiras de algum setor."

Mensalidades dos sócios

"O Inter é dos seus sócios. O sócio está sendo fundamental nesse período de modernização do Beira-Rio e vai manter os mesmos direitos. Não há posição sobre aumento de mensalidades, ainda que seja evidente o ganho de conforto, estrutura e serviços."

Migração

"Não há definição de nenhum tipo de migração. O Inter está estudando as melhores práticas no mundo todo em relação à gestão de estádios."

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