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  • 08/05/2013
  • 18:18
  • Atualização: 19:16

Investigado pediu que leite dos filhos fosse separado antes da mistura, diz promotor

Seis pessoas foram presas por envolvimento na adulteração de 100 milhões de litros do produto

Total de leite movimentado pelo grupo em um ano chega a 100 milhões de litros | Foto: Divulgação MP / CP

Total de leite movimentado pelo grupo em um ano chega a 100 milhões de litros | Foto: Divulgação MP / CP

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  • Correio do Povo

Um dos supostos responsáveis pela adição de formol ao leite, prática que atingiu quatro marcas do produto e foi investigada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) na operação Leite Compen$ado, orienta outro envolvido a separar o leite dos filhos antes de fazer a mistura. O pedido foi registrado numa interceptação telefônica.

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O promotor de Justiça Especializada Criminal da Capital Mauro Rockembach revelou que um dos investigados orientou seu motorista para que “separe o leite da guachaiada”, se referindo aos filhos, antes de fazer a mistura. “Ou seja, ele pedia para deixar para ele o leite bom, antes de mandar para o consumo da população o produto com a substância cancerígena”, destacou.

O balanço da Operação Leite Compen$ado, deflagrada nesta quarta pelo MP em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e que contou com o apoio da Brigada Militar e Polícia Civil, em três regiões do Estado, foi apresentado nesta tarde na sede da Promotoria de Justiça de Tapera

Foram detidas oito pessoas, entre funcionários e empresários do ramo de laticínios, ligadas a empresas transportadoras responsáveis pela adulteração do leite. A mistura consistia na adição de água e ureia, substância que possui formol – cancerígeno segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Seis estão presas preventivamente e duas foram ouvidas e liberadas.

O total de leite movimentado pelo grupo, no período de um ano, chega a 100 milhões de litros. Mais de 100 toneladas de ureia foram adquiridas pelos envolvidos para utilização na prática criminosa. Até o momento, foi possível apurar a presença de formol em lotes específicos das marcas Italac, Bom Gosto/Líder, Mumu e Latvida.

A investigação teve início em abril de 2012, quando o Ministério da Agricultura identificou presença de formol em amostra de leite em um dos postos de resfriamento no RS. “Após uma segunda coletagem em agosto do ano passado ter apontado novamente essa ilegalidade, o Ministério Público foi procurado, em fevereiro de 2013, para que procedesse a apuração dos responsáveis por essa adulteração”, disse Rockembach.

Durante toda investigação, o grupo criminoso foi monitorado por interceptações telefônicas. “Todos os passos, as negociações e os ajustes foram captados” esclareceu o promotor. “Eu fiz essa investigação durante dois meses. Eu ouso dizer que esse crime é mais grave que o tráfico de drogas, pois o traficante vende para quem quer comprar o tóxico. Na adulteração do leite, o produto é entregue ao consumidor, que não tem nenhum conhecimento prévio sobre a situação desse produto”, disse.

Durante o cumprimento dos 13 mandados de busca e apreensão, foram recolhidos diversos caminhões utilizados no transporte do leite, cerca de 60 sacos de ureia, R$ 100 mil em dinheiro, uma régua com a fórmula utilizada para medir a mistura adicionada ao leite, revólveres e pistolas com respectivas munições, soda cáustica, corantes, coagulantes líquidos e emulsão para obtenção de consistência, entre outros produtos e documentos.

Interdição

A empresa Latvida foi interditada nesta quarta-feira por descumprir determinação de não comercializar leite UHT a partir de 1º de abril de 2013. “Foi lacrada hoje pela manhã pela Secretaria Estadual da Agricultura a partir de uma recomendação do MP em um inquérito civil por uma série de irregularidades verificadas, sem falar na questão do formol que já tinha sido detectada. Foram 188 inadequações apontadas, como condições de higiene e presença de insetos nas plantas da empresa”, revelou o Promotor de Justiça de Defesa do Consumidor da Capital Alcindo Luz Bastos Filho. 

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