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  • 10/02/2018
  • 16:15
  • Atualização: 20:32

Cineasta gaúcho Fabiano de Souza roda seu terceiro longa em Porto Alegre

História de "Mudança" se passa em 15 de janeiro de 1985

Centro Histórico, 4º Distrito e na zona Sul servem de cenário para o filme | Foto: Rodrigo Scheid / Divulgação / CP

Centro Histórico, 4º Distrito e na zona Sul servem de cenário para o filme | Foto: Rodrigo Scheid / Divulgação / CP

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  • Adriana Androvandi

O terceiro longa-metragem dirigido pelo cineasta gaúcho Fabiano de Souza está sendo rodado em Porto Alegre neste mês. Com o título “Mudança”, a história se passa no dia 15 de janeiro de 1985, quando Tancredo Neves foi eleito, de forma indireta, para presidente da República, o que marcou definitivamente o fim da ditadura militar. Os personagens centrais são um pai e seu filho, que saem do Litoral e retornam a Porto Alegre. O pai, Reinaldo, é um sociólogo, interpretado por Gustavo Machado (de “Elis”). O filho é vivido pelo ator estreante Guili Arenzon, escolhido por testes de elenco.

As locações contam com ruas do Centro Histórico da Capital, entre elas a Duque de Caxias e a Bento Martins. Cenas no 4º Distrito e na Zona Sul também estão no projeto. Mas boa parte da ação se passa dentro de um apartamento na rua Coronel Bordini. A ideia para o filme foi sendo pensada por Fabiano desde 2009. Depois que o seu projeto foi contemplado em um edital para produção de longa-metragem de baixo orçamento do Ministério da Cultura, o roteiro efetivamente saiu do papel em meados do ano passado, com produção da Rainer Filmes e da Prana Filmes. A previsão de estreia é para 2019.

Sobre o roteiro, Fabiano explica: “Não é a minha história, mas partiu de uma memória minha”. A narrativa é um recuo no tempo, quando o país viveu grandes mudanças. O diretor comenta que aquele foi um período de muita energia, com fatos como as eleições em Brasília e a primeira edição do Rock in Rio. “Era um período de transição, em que os personagens nem sempre entendiam o que estava acontecendo”, explica o diretor. “Apesar da esperança que existia devido ao fim da ditadura militar, fissuras subterrâneas de uma ‘transição pactuada’ já estavam lá”, opina.

As referência aos anos 80 vão aparecer em diferentes sequências. Uma delas é quando o filho vai ao cinema e o filme que está sendo exibido é “Verdes Anos”, clássico do cinema gaúcho dirigido por Carlos Gerbase e Giba Assis Brasil. Não deixa de ser uma homenagem ao que o longa-metragem representou, abordando uma jovem cultura urbana que emergia então. A trilha sonora vai contar com sucessos da época, como músicas do disco “Rock Garagem”, de 1984. Quando Caio se interessa por uma garota, Vera (Pâmela Machado), os dois vão a um fliperama, diversão comum na época.

Sobre a experiência no set, o diretor relata que está sendo bastante positiva a troca entre os atores novatos e os mais experientes. Também integram o elenco Rosanne Mulholland, Fernando Alves Pinto, Maria Carolina Ribeiro, Nelson Diniz e João Pedro Prates. Gustavo Machado comenta sobre seu personagem, mais introspectivo. “É um intelectual que vê o país mudando e se pergunta: e eu, como fico?”, diz. Por coincidência, o ator trabalhou, no ano passado, em um filme cuja narrativa também se passa em 1985. É “O Paciente”, de Sérgio Rezende, a ser lançado neste ano.


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