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Porto Alegre, domingo, 21 de Janeiro de 2018

  • 05/01/2018
  • 16:56
  • Atualização: 17:46

Globo de Ouro inicia a temporada de prêmios após escândalo de abusos sexuais

Cerimônia ocorre neste domingo, com apresentação de Seth Meyers

Estrelado por Sally Hawkins e dirigido por Guillermo Del Toro,

Estrelado por Sally Hawkins e dirigido por Guillermo Del Toro, "A Forma Da Água" lidera as indicações | Foto: Valerie Macon / AFP / CP

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Astros e estrelas se reunirão no domingo em Beverly Hills para reverenciar os melhores do cinema e da televisão, já que a temporada de premiação de 2018 começa oficialmente com o Globo de Ouro, que este ano será marcado pelos casos de assédio sexual no meio artístico. Em Hollywood só se fala do escândalo que surgiu com as denúncias contra o antes poderoso produtor Harvey Weinstein. Esta será a primeira vitrine para que as grandes celebridades levantem sua voz contra este problema endêmico. "O dilúvio de revelações de conduta sexual inapropriada foi a história do ano, de modo que é fácil prever qual será a história da noite. Influenciará em tudo, do monólogo de Seth Meyers aos discursos de aceitação e a moda", comenta Debra Birnbaum, editora de televisão na revista especializada Variety.

Embora não seja considerado tanto um termômetro para o Oscar - porque não é concedido pela indústria do cinema, mas pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood -, igualmente se trata de uma noite de alto perfil. Seu tapete vermelho se caracteriza por ser uma passarela de vestidos e smokings extravagantes, mas este ano espera-se que muitas celebridades apareçam de preto em solidariedade com as vítimas de Weinstein e do resto de acusados de assédio e abuso, como Kevin Spacey, Brett Ratner, Dustin Hoffman e James Toback. A cerimônia de domingo, que começa às 17h locais (23h em Brasília), entrega 25 prêmios: 14 para o cinema e 11 para a televisão.

Apesar disso, pela 74ª vez em 75 anos de história, o prêmio vai laurear um homem como o melhor diretor, excluindo as mulheres da corrida após um excelente ano para as cineastas. Nos últimos 12 meses, Greta Gerwig destacou-se com o aclamado "Lady Bird", enquanto Patty Jenkins quebrou recordes de bilheteria com o sucesso "Mulher-Maravilha". O drama racial de Dee Rees na Netflix, "Mudbound", obteve aprovação de 97% no site Rotten Tomatoes, e Kathryn Bigelow virou manchete com o drama de crime "Detroit". Se você adiciona Sofia Coppola, Amma Asante e Valerie Faris, todas criadoras de obras altamente elogiados, parece ainda mais estranho que o Globo de Ouro tenha nomeado apenas homens de meia-idade nesta modalidade. Ademais, uma rápida análise mostra que apenas cinco mulheres foram selecionadas para competir neste categoria, que é entregue desde 1944. Barbra Streisand, foi única vencedora, com "Yentl" (1983).

"A questão de cineastas em Hollywood gerou muitos debates nos últimos anos. Elas receberam mais atenção, mas não houve mudanças para as mulheres atrás da câmera", disse Stacy Smith, professora da Universidade do Sul da Califórnia (USC). A Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA), a entidade de 90 membros que premia anualmente o Globo de Ouro, recusou-se a comentar, mas fontes familiares do assunto disseram que seria injusto apontar exclusivamente para essa organização devido a um problema que pertence a toda a indústria. O mexicano Guillermo del Toro recebeu o maior número de indicações, sete, com "A Forma da Água" e deve levar o prêmio de melhor diretor. O filme, que ganhou o Leão de Ouro em Veneza, conta a história de amor entre uma zeladora e uma criatura anfíbia mantida em um tanque de água em uma instalação militar dos Estados Unidos.

"The Post - a Guerra Secreta" e "Três Anúncios para um Crime" o seguem, com seis nomeações cada. A crítica interpretou que as indicações para o drama de Ridley Scott "Todo o Dinheiro do Mundo" demonstram um apoio implícito à campanha contra o assédio sexual em Hollywood. Scott, indicado ao prêmio de melhor diretor, descartou e filmou de novo, de última hora, todas as cenas de Kevin Spacey, substituído pelo ator veterano Christopher Plummer ("A Noviça Rebelde"), indicado a melhor ator coadjuvante. Michelle Williams também recebeu uma indicação a melhor atriz. "Plummer é um ganhador lógico pela impressionante façanha de assumir este papel emocionalmente exigente de última hora com 87 anos", escreveu Daniel Montgomery, editor de Gold Derby.

O filme chileno "Uma Mulher Fantástica", do diretor Sebastián Lelio, está indicado a melhor filme estrangeiro. Protagonizado por Daniela Vega, o longa, aclamado pela crítica, conta a história de uma mulher transexual que enfrenta a morte de seu companheiro em meio a preconceitos e violência. Contudo, as previsões dão como vencedor o sueco "The Square", com Elisabeth Moss.

Na televisão, a série da HBO "Big Little Lies" lidera as indicações, com seis, seguida por "Feud: Bette and Joan" com quatro, e "The Handmaid's Tale", "Fargo", e "This Is Us" com três. Amanda Spears, do Gold Derby, estimou que o escândalo sexual poderia impulsar um prêmio para Shailene Woodley de melhor atriz coadjuvante por seu papel em "Big Little Lies", em que interpreta uma mãe solteira criando um filho fruto de um estupro. "Através do cinema e a televisão, existe a oportunidade de premiar papéis de mulheres fortes, poderosas e convincentes além de simplesmente suas relações com os homens", disse Birnbaum.